O arquivamento no processo trabalhista é o encerramento ou a suspensão da ação sem análise do mérito, podendo ocorrer por motivos como a ausência do reclamante em audiência, inércia das partes ou questões processuais específicas.
Esse tema costuma gerar dúvidas entre trabalhadores, especialmente sobre seus efeitos práticos e a possibilidade de retomar o processo.
Por isso, é fundamental compreender como o arquivamento funciona e quais impactos ele pode trazer ao andamento da demanda.
O que é o arquivamento no processo trabalhista?
O arquivamento é o ato pelo qual o processo é retirado da tramitação, deixando de ter andamento naquele momento.
Isso não significa, necessariamente, que o processo foi encerrado de forma definitiva.
Em muitos casos, o arquivamento pode ser apenas uma suspensão, permitindo que a ação seja retomada posteriormente.
É importante diferenciar o arquivamento do encerramento definitivo:
Arquivamento
Pode ser temporário ou definitivo, dependendo da situação.
Encerramento definitivo (extinção)
Significa o fim do processo, sem possibilidade de continuidade naquele mesmo processo.
Essa distinção é essencial para entender os direitos do trabalhador após o arquivamento.
Quais são os tipos de arquivamento no processo trabalhista?
O arquivamento pode ocorrer por diferentes razões, conforme o comportamento das partes ou o andamento do processo.
Arquivamento por ausência do reclamante
Esse tipo ocorre quando o trabalhador (reclamante) não comparece à audiência inicial sem apresentar justificativa.
Nessa situação, o processo pode ser arquivado com base na legislação trabalhista.
Além disso, dependendo do caso, o trabalhador pode ser condenado ao pagamento de custas processuais para ingressar novamente com a ação.
Arquivamento provisório
O arquivamento provisório acontece quando o processo é suspenso por algum motivo que impede seu andamento naquele momento.
Um exemplo comum ocorre na fase de execução, quando não são encontrados bens do devedor para satisfazer a dívida.
Nesse caso, o processo fica arquivado, mas pode ser retomado futuramente, caso surjam novos elementos.
Arquivamento definitivo
O arquivamento definitivo ocorre quando não há mais possibilidade de continuidade do processo dentro daquela ação específica.
Isso pode acontecer, por exemplo, quando o processo é encerrado e não há mais medidas a serem tomadas pelas partes.
Arquivamento por acordo entre as partes
Quando as partes chegam a um acordo e ele é homologado pelo juiz, o processo pode ser arquivado após o cumprimento das obrigações estabelecidas.
Esse tipo de arquivamento indica que o conflito foi resolvido de forma consensual.
Arquivamento por inércia das partes
Ocorre quando nenhuma das partes pratica atos necessários para o andamento do processo.
Nesses casos, a falta de movimentação pode levar ao arquivamento, especialmente quando há abandono da causa.
Diferença entre arquivamento e extinção do processo
Embora muitas vezes utilizados como sinônimos, arquivamento e extinção possuem significados diferentes.
O arquivamento refere-se à paralisação do processo, que pode ser temporária ou definitiva.
Já a extinção do processo significa o encerramento formal da ação, podendo ocorrer:
- com resolução do mérito → quando o juiz analisa o pedido;
- sem resolução do mérito → quando o processo é encerrado sem análise do conteúdo.
Na prática, um processo pode ser arquivado sem estar definitivamente extinto, especialmente nos casos de arquivamento provisório.
É possível reabrir um processo arquivado?
Depende do tipo de arquivamento.
Nos casos de arquivamento provisório, é possível retomar o processo quando surgirem novos elementos, como a localização de bens do devedor.
Já no caso de arquivamento por ausência do reclamante, o trabalhador pode ingressar com uma nova ação, desde que observe os prazos legais e, em alguns casos, efetue o pagamento de custas.
Por outro lado, quando há extinção definitiva, pode não ser possível reabrir o mesmo processo, sendo necessário avaliar a possibilidade de ajuizamento de nova ação.
Quais são as consequências do arquivamento?
As consequências do arquivamento variam conforme o motivo que levou à paralisação do processo.
Entre as principais, destacam-se:
- Interrupção do andamento processual;
- Possibilidade/necessidade de nova ação;
- Eventual pagamento de custas processuais;
- Risco de prescrição, caso o trabalhador demore para agir novamente;
- Atraso no recebimento de valores devidos.
Por isso, é importante acompanhar o processo e agir de forma diligente para evitar prejuízos.
Conclusão
O arquivamento no processo trabalhista pode ocorrer por diferentes motivos e nem sempre significa o fim definitivo da ação.
Entender os tipos de arquivamento e suas consequências é essencial para que o trabalhador saiba como agir e quais são seus direitos.
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Referências (ABNT)
BRASIL. Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del5452.htm.
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm.
TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 4ª REGIÃO. Como tramita um processo trabalhista. Disponível em: https://www.trt4.jus.br/portais/trt4/como-tramita.
SANTOS, Bruno Freire e. Ausência de comparecimento do reclamante no processo do trabalho: efeitos. Migalhas, 25 mar. 2024. Disponível em: https://www.migalhas.com.br/depeso/419848/ausencia-de-comparecimento-do-reclamante-processo-do-trabalho-efeito
Nem sempre. Em muitos casos, é possível ingressar com nova ação, desde que respeitados os prazos legais e condições específicas.
O prazo depende das regras de prescrição trabalhista, que geralmente envolvem o limite de até dois anos após o término do contrato de trabalho.
Sim. Isso ocorre, por exemplo, quando não são encontrados bens do devedor, levando ao arquivamento provisório do processo.