Litigância de má-fé: o que é?

Litigância de má-fé: o que é?

A litigância de má-fé ocorre quando uma das partes utiliza o processo judicial de forma desleal ou abusiva, com o objetivo de obter vantagem indevida ou prejudicar a parte contrária.

O sistema processual brasileiro prevê mecanismos para coibir esse tipo de comportamento, garantindo que o processo seja conduzido de maneira ética e respeitando o princípio da boa-fé.

O que é litigância de má-fé?

A litigância de má-fé é caracterizada quando uma parte age de forma desonesta ou abusiva durante o processo.

O conceito está previsto principalmente no Código de Processo Civil, mais especificamente no artigo 80, que estabelece deveres de lealdade e boa-fé para todos os participantes do processo judicial.

Quais condutas caracterizam litigância de má-fé?

As condutas consideradas litigância de má-fé estão elencadas em um rol, previsto no artigo acima mencionado, quais sejam: 

  • I – Deduzir pretensão ou defesa contra texto expresso de lei ou fato incontroverso;
  • II – Alterar a verdade dos fatos;
  • III – Usar do processo para conseguir objetivo ilegal;
  • IV – Opuser resistência injustificada ao andamento do processo;
  • V – Proceder de modo temerário em qualquer incidente ou ato do processo;
  • VI – Provocar incidente manifestamente infundado;
  • VII – Interpuser recurso com intuito manifestamente protelatório.

Essas práticas podem comprometer a eficiência da Justiça e prejudicar a parte adversa.

Litigância de má-fé na Justiça do Trabalho

Na Justiça do Trabalho, a litigância de má-fé também pode ocorrer em diversas situações.

Exemplos comuns incluem:

  • Apresentação de pedidos manifestamente infundados;
  • Produção de provas falsas;
  • Ocultação de documentos relevantes;
  • Tentativa de atrasar o processo intencionalmente.

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Quem pode ser condenado por litigância de má-fé?

A condenação por litigância de má-fé pode atingir:

  • O autor da ação;
  • O réu;
  • Terceiros que participem do processo.

Em algumas situações, até mesmo advogados podem sofrer repercussões éticas caso contribuam para condutas abusivas.

Como o juiz reconhece a litigância de má-fé?

Para que a condenação seja aplicada, o juiz precisa observar alguns requisitos. Entre eles:

  • Garantia do contraditório;
  • Análise das provas apresentadas;
  • Fundamentação específica da decisão.

Ou seja, não basta suspeitar de má-fé; é necessário demonstrar a existência de comportamento abusivo.

Consequências jurídicas da litigância de má-fé

As principais consequências incluem:

  • Multa processual, normalmente fixada entre 1% e 10% do valor da causa;
  • Indenização pelos prejuízos causados à parte contrária;
  • Pagamento de honorários advocatícios adicionais;
  • Responsabilidade por perdas e danos;
  • Registro da conduta nos autos do processo;
  • Possíveis repercussões éticas ou disciplinares.

É possível recorrer da condenação por má-fé?

Sim. Assim como outras decisões judiciais, a condenação por litigância de má-fé pode ser objeto de recurso.

A parte condenada pode contestar a decisão caso entenda que não houve comportamento abusivo ou que a penalidade foi aplicada de forma indevida.

Diferença entre litigância de má-fé e mero erro processual

Nem todo erro cometido durante um processo caracteriza litigância de má-fé. Erros de estratégia, interpretações jurídicas divergentes ou falhas processuais podem ocorrer sem que exista intenção de prejudicar a parte contrária.

Para que haja má-fé, é necessário comprovar intenção ou comportamento abusivo.

Conclusão

A litigância de má-fé é um mecanismo importante para preservar a integridade do processo judicial. 

Ao prever sanções para comportamentos abusivos, a legislação busca garantir que o Judiciário seja utilizado de forma responsável e ética.

Advogados e partes devem atuar com transparência e respeito às regras processuais para evitar penalidades e contribuir para a efetividade da Justiça.

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Referências (ABNT)

BRASIL. Código de Processo Civil. Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015.

DIDIER JR., Fredie. Curso de Direito Processual Civil. Salvador: JusPodivm, 2023.

Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT). Litigância de má-fé. Disponível em: https://www.tjdft.jus.br/institucional/imprensa/campanhas-e-produtos/direito-facil/edicao-semanal/litigancia-de-ma-fe 

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